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21.7.09

[.:.]

O incessante duelo
Entre o farfalhar de palavras
E o silêncio devastador

O vulto equilibrava-se nas arestas da lâmina
Ah, aquele aroma inexato
E toda a indecisão nos paralisando
Um excesso de ruídos nos prendendo ao chão

Entre meu olhar estatico
E o gelatinoso ponto no infinito
Ouvia-se apenas o tempo
[escorrendo, inequivoco]
Bem alem daqueles passos
Que me repartiam em varios

Ao redor, por todo o meu redor
Aquela terra de certezas tortas
Vozes familiares
(intimidades mortas)

Cantigas euforicas
Refrigerando o marasmo
Apenas um sorriso amistoso, quase disposto
Sacolejando terremotos milenares

(o olhar segue paralisando - paralisado)

Mais um dia equilibrando-se em metaforas
Sucessivos rituais de negacao
Solenidades de ode ao nao
Um longo sarau de hemorragia
Durante e apos a letargia

Em meio ao sarapatel de palavras
O tao temido silencio pernicioso
O devastador resto de olhar jocoso
A inercia calculada, espalhando lava

Deslizou pelos anos
E seguiu zanzando pela periferia de si mesmo
Infernizando o ceu da boca
Salivando uma espécie
De agonia môca.

2:05 AM






31.1.09

A liberdade de ver os outros
por David Foster Wallace



(Um dos escritores mais admirados de sua geração, o americano David Foster Wallace se suicidou no mês passado, aos 46 anos, enforcando-se. O texto abaixo foi tirado de seu discurso de paraninfo para formandos do Kenyon College, há três anos.)

Dois peixinhos estão nadando juntos e cruzam com um peixe mais velho, nadando em sentido contrário. Ele os cumprimenta e diz:

– Bom dia, meninos. Como está a água?

Os dois peixinhos nadam mais um pouco, até que um deles olha para o outro e pergunta:

– Água? Que diabo é isso?

Não se preocupem, não pretendo me apresentar a vocês como o peixe mais velho e sábio que explica o que é água ao peixe mais novo. Não sou um peixe velho e sábio. O ponto central da história dos peixes é que a realidade mais óbvia, ubíqua e vital costuma ser a mais difícil de ser reconhecida. Enunciada dessa -forma, a frase soa como uma platitude – mas é fato que, nas trincheiras do dia-a-dia da existência adulta, lugares comuns banais podem adquirir uma importância de vida ou morte.

Boa parte das certezas que carrego comigo acabam se revelando totalmente equivocadas e ilusórias. Vou dar como exemplo uma de minhas convicções automáticas: tudo à minha volta respalda a crença profunda de que eu sou o centro absoluto do universo, de que sou a pessoa mais real, mais vital e essencial a viver hoje. Raramente mencionamos esse egocentrismo natural e básico, pois parece socialmente repulsivo, mas no fundo ele é familiar a todos nós. Ele faz parte de nossa configuração padrão, vem impresso em nossos circuitos ao nascermos.

Querem ver? Todas as experiências pelas quais vocês passaram tiveram, sempre, um ponto central absoluto: vocês mesmos. O mundo que se apresenta para ser experimentado está diante de vocês, ou atrás, à esquerda ou à direita, na sua tevê, no seu monitor, ou onde for. Os pensamentos e sentimentos dos outros precisam achar um caminho para serem captados, enquanto o que vocês sentem e pensam é imediato, urgente, real. Não pensem que estou me preparando para fazer um sermão sobre compaixão, desprendimento ou outras “virtudes”. Essa não é uma questão de virtude – trata-se de optar por tentar alterar minha configuração padrão original, impressa nos meus circuitos. Significa optar por me libertar desse egocentrismo profundo e literal que me faz ver e interpretar absolutamente tudo pelas lentes do meu ser.

Num ambiente de excelência acadêmica, cabe a pergunta: quanto do esforço em adequar a nossa configuração padrão exige de sabedoria ou de intelecto? A pergunta é capciosa. O risco maior de uma formação acadêmica – pelo menos no meu caso – é que ela reforça a tendência a intelectualizar demais as questões, a se perder em argumentos abstratos, em vez de simplesmente prestar atenção ao que está ocorrendo bem na minha frente.

Estou certo de que vocês já perceberam o quanto é difícil permanecer alerta e atento, em vez de hipnotizado pelo constante monólogo que travamos em nossas cabeças. Só vinte anos depois da minha formatura vim a entender que o surrado clichê de “ensinar os alunos como pensar” é, na verdade, uma simplificação de uma idéia bem mais profunda e séria. “Aprender a pensar” significa aprender como exercer algum controle sobre como e o que cada um pensa. Significa ter plena consciência do que escolher como alvo de atenção e pensamento. Se vocês não conseguirem fazer esse tipo de escolha na vida adulta, estarão totalmente à deriva.

Lembrem o velho clichê: “A mente é um excelente servo, mas um senhorio terrível.” Como tantos clichês, também esse soa inconvincente e sem graça. Mas ele expressa uma grande e terrível verdade. Não é coincidência que adultos que se suicidam com armas de fogo quase sempre o façam com um tiro na cabeça. Só que, no fundo, a maioria desses suicidas já estava morta muito antes de apertar o gatilho. Acredito que a essência de uma educação na área de humanas, eliminadas todas as bobagens e patacoadas que vêm junto, deveria contemplar o seguinte ensinamento: como percorrer uma confortável, próspera e respeitável vida adulta sem já estar morto, inconsciente, escravizado pela nossa configuração padrão – a de sermos singularmente, completamente, imperialmente sós.

Isso também parece outra hipérbole, mais uma abstração oca. Sejamos concretos então. O fato cru é que vocês, graduandos, ainda não têm a mais vaga idéia do significado real do que seja viver um dia após o outro. Existem grandes nacos da vida adulta sobre os quais ninguém fala em discursos de formatura. Um desses nacos envolve tédio, rotina e frustração mesquinha.

Vou dar um exemplo prosaico imaginando um dia qualquer do futuro. Você acordou de manhã, foi para seu prestigiado emprego, suou a camisa por nove ou dez horas e, ao final do dia, está cansado, estressado, e tudo que deseja é chegar em casa, comer um bom prato de comida, talvez relaxar por umas horas, e depois ir para cama, porque terá de acordar cedo e fazer tudo de novo. Mas aí lembra que não tem comida na geladeira. Você não teve tempo de fazer compras naquela semana, e agora precisa entrar no carro e ir ao supermercado. Nesse final de dia, o trânsito está uma lástima.

Quando você finalmente chega lá, o supermercado está lotado, horrivelmente iluminado com lâmpadas fluorescentes e impregnado de uma música ambiente de matar. É o último lugar do mundo onde você gostaria de estar, mas não dá para entrar e sair rapidinho: é preciso percorrer todos aqueles corredores superiluminados para encontrar o que procura, e manobrar seu carrinho de compras de rodinhas emperradas entre todas aquelas outras pessoas cansadas e apressadas com seus próprios carrinhos de compras. E, claro, há também aqueles idosos que não saem da frente, e as pessoas desnorteadas, e os adolescentes hiperativos que bloqueiam o corredor, e você tem que ranger os dentes, tentar ser educado, e pedir licença para que o deixem passar. Por fim, com todos os suprimentos no carrinho, percebe que, como não há caixas suficientes funcionando, a fila é imensa, o que é absurdo e irritante, mas você não pode descarregar toda a fúria na pobre da caixa que está à beira de um ataque de nervos.

De qualquer modo, você acaba chegando à caixa, paga por sua comida e espera até que o cheque ou o cartão seja autenticado pela máquina, e depois ouve um “boa noite, volte sempre” numa voz que tem o som absoluto da morte. Na volta para casa, o trânsito está lento, pesado etc. e tal.

É num momento corriqueiro e desprezível como esse que emerge a questão fundamental da escolha. O engarrafamento, os corredores lotados e as longas filas no supermercado me dão tempo de pensar. Se eu não tomar uma decisão consciente sobre como pensar a situação, ficarei irritado cada vez que for comprar comida, porque minha configuração padrão me leva a pensar que situações assim dizem respeito a mim, a minha fome, minha fadiga, meu desejo de chegar logo em casa. Parecerá sempre que as outras pessoas não passam de estorvos. E quem são elas, aliás? Quão repulsiva é a maioria, quão bovinas, e inexpressivas e desumanas parecem ser as da fila da caixa, quão enervantes e rudes as que falam alto nos celulares.

Também posso passar o tempo no congestionamento zangado e indignado com todas essas vans, e utilitários e caminhões enormes e estúpidos, bloqueando as pistas, queimando seus imensos tanques de gasolina, egoístas e perdulários. Posso me aborrecer com os adesivos patrióticos ou religiosos, que sempre parecem estar nos automóveis mais potentes, dirigidos pelos motoristas mais feios, desatenciosos e agressivos, que costumam falar no celular enquanto fecham os outros, só para avançar uns 20 metros idiotas no engarrafamento. Ou posso me deter sobre como os filhos dos nossos filhos nos desprezarão por desperdiçarmos todo o combustível do futuro, e provavelmente estragarmos o clima, e quão mal-acostumados e estúpidos e repugnantes todos nós somos, e como tudo isso é simplesmente pavoroso etc. e tal.

Se opto conscientemente por seguir essa linha de pensamento, ótimo, muitos de nós somos assim – só que pensar dessa maneira tende a ser tão automático que sequer precisa ser uma opção. Ela deriva da minha configuração padrão.

Mas existem outras formas de pensar. Posso, por exemplo, me forçar a aceitar a possibilidade de que os outros na fila do supermercado estão tão entediados e frustrados quanto eu, e, no cômputo geral, algumas dessas pessoas provavelmente têm vidas bem mais difíceis, tediosas ou dolorosas do que eu.

Fazer isso é difícil, requer força de vontade e empenho mental. Se vocês forem como eu, alguns dias não conseguirão fazê-lo, ou simplesmente não estarão a fim. Mas, na maioria dos dias, se estiverem atentos o bastante para escolher, poderão preferir olhar melhor para essa mulher gorducha, inexpressiva e estressada que acabou de berrar com a filhinha na fila da caixa. Talvez ela não seja habitualmente assim. Talvez ela tenha passado as três últimas noites em claro, segurando a mão do marido que está morrendo. Ou talvez essa mulher seja a funcionária mal remunerada do Departamento de Trânsito que, ontem mesmo, por meio de um pequeno gesto de bondade burocrática, ajudou algum conhecido seu a resolver um problema insolúvel de documentação.

Claro que nada disso é provável, mas tampouco é impossível. Tudo depende do que vocês queiram levar em conta. Se estiverem automaticamente convictos de conhecerem toda a realidade, vocês, assim como eu, não levarão em conta possibilidades que não sejam inúteis e irritantes. Mas, se vocês aprenderam como pensar, saberão que têm outras opções. Está ao alcance de vocês vivenciarem uma situação “inferno do consumidor” não apenas como significativa, mas como iluminada pela mesma força que acendeu as estrelas.

Relevem o tom aparentemente místico. A única coisa verdadeira, com V maiúsculo, é que vocês precisam decidir conscientemente o que, na vida, tem significado e o que não tem.

Na trincheira do dia-a-dia, não há lugar para o ateísmo. Não existe algo como “não venerar”. Todo mundo venera. A única opção que temos é decidir o que venerar. E o motivo para escolhermos algum tipo de Deus ou ente espiritual para venerar – seja Jesus Cristo, Alá ou Jeová, ou algum conjunto inviolável de princípios éticos – é que todo outro objeto de veneração te engolirá vivo. Quem venerar o dinheiro e extrair dos bens materiais o sentido de sua vida nunca achará que tem o suficiente. Aquele que venerar seu próprio corpo e beleza, e o fato de ser sexy, sempre se sentirá feio – e quando o tempo e a idade começarem a se manifestar, morrerá um milhão de mortes antes de ser efetivamente enterrado.

No fundo, sabemos de tudo isso, que está no coração de mitos, provérbios, clichês, epigramas e parábolas. Ao venerar o poder, você se sentirá fraco e amedrontado, e precisará de ainda mais poder sobre os outros para afastar o medo. Venerando o intelecto, sendo visto como inteligente, acabará se sentindo burro, um farsante na iminência de ser desmascarado. E assim por diante.

O insidioso dessas formas de veneração não está em serem pecaminosas – e sim em serem inconscientes. São o tipo de veneração em direção à qual você vai se acomodando quase que por gravidade, dia após dia. Você se torna mais seletivo em relação ao que quer ver, ao que valorizar, sem ter plena consciência de que está fazendo uma escolha.

O mundo jamais o desencorajará de operar na configuração padrão, porque o mundo dos homens, do dinheiro e do poder segue sua marcha alimentado pelo medo, pelo desprezo e pela veneração que cada um faz de si mesmo. A nossa cultura consegue canalizar essas forças de modo a produzir riqueza, conforto e liberdade pessoal. Ela nos dá a liberdade de sermos senhores de minúsculos reinados individuais, do tamanho de nossas caveiras, onde reinamos sozinhos.

Esse tipo de liberdade tem méritos. Mas existem outros tipos de liberdade. Sobre a liberdade mais preciosa, vocês pouco ouvirão no grande mundo adulto movido a sucesso e exibicionismo. A liberdade verdadeira envolve atenção, consciência, disciplina, esforço e capacidade de efetivamente se importar com os outros – no cotidiano, de forma trivial, talvez medíocre, e certamente pouco excitante. Essa é a liberdade real. A alternativa é a torturante sensação de ter tido e perdido alguma coisa infinita.

Pensem de tudo isso o que quiserem. Mas não descartem o que ouviram como um sermão cheio de certezas. Nada disso envolve moralidade, religião ou dogma. Nem questões grandiosas sobre a vida depois da morte. A verdade com V maiúsculo diz respeito à vida antes da morte. Diz respeito a chegar aos 30 anos, ou talvez aos 50, sem querer dar um tiro na própria cabeça. Diz respeito à consciência – consciência de que o real e o essencial estão escondidos na obviedade ao nosso redor – daquilo que devemos lembrar, repetindo sempre: “Isto é água, isto é água.”

É extremamente difícil lembrar disso, e permanecer consciente e vivo, um dia depois do outro.

11:40 AM






12.1.09

Aqui eu posso

"...e assim ficaram, mudos, cheios de ansiedade, trespassando-se com os olhos, como se se tivessem feito uma grande alteração no universo e esperassem, suspensos, os desfechos dos seus destinos."
(Eça de Queiroz)

Se funcionasse na vida real, a narrativa de minha última sexta seria essa.

3:40 PM






2.1.09

Recuperei a senha do rabo! :)

10:17 AM






3.11.08

Quem tem cu



Pra quem não entende nada, nem se interessa lhufas pelo assunto, a corrida pela próxima presidência americana não passa de um embate racial. Por lá é a melanina que transita no discurso velado, por aqui ouve-se falar de orientação sexual, segundas famílias, caralhaquatro.

Vamos combinar?

Já conheci tanto tipo de caráter e comportamento em tão variadas embalagens que o tema me entedia. Cerumano, ê animal raro e muitas vezes nada caro. Faço coro com a campanha: let the issues be the issue

E pra todo o resto sempre sigo a máxima: quem tem cu tem medo.

8:44 PM






27.10.08

Vi uma ilha no Soho



(para Ismael)

1:24 AM






26.10.08

Enquanto isso, em Manaus...

6:50 PM






22.10.08

O melhor bolinho de aniversário é o bolinho com recheio de carinho. Só tenho amigos bacanaços, sou um cara de sorte.

:)

1:33 PM






1.10.08

Outono na Friolândia

11:42 AM






Twitter



Nos bastidores de blogs (aparentemente) parados como esse, há um movimento silencioso e poderoso. Aproxime-se, encoste seu ouvido na porta e ouça. Gente que não tem tido tempo de escrever mais que 140 caracteres por vez tem pensado alto e dito muito. E pra que esperar sair nos blogs o que germina por lá?

Aqueles posts são verdadeiros quarks de opinião, informação e conhecimento, sacolejando no núcleo da Internet.

11:16 AM






20.9.08

Para Nanne

12:31 AM






15.9.08

Isso é tão a minha cara

“Escrever é fácil. Tudo o que você tem a fazer é ficar olhando fixamente para uma folha em branco até a sua testa começar a sangrar”

Douglas Adams

3:35 PM






7.9.08

Avistei um bote salva-vidas

2:10 PM






9.8.08

Surreal

Não encontrei outra palavra para descrever o que acontece em Manaus, quando o mau caratismo e a força do passado se vêem ameaçados pela inteligência e pelo bom senso.

Outro dia fui parar na foto de topo deste blog com outro amigo e logo depois ouvi, desatento, que a partir daquele momento também estaríamos correndo risco de vida. Diante do cenário atual, parece-me que esta ameaça ao Ismael é bem mais ampla. O que está em risco não é o blogueiro, é o que nos resta de lucidez.

Que este alerta nos estimule a ir além do apoio moral, que vem sendo expresso pelas mentes mais lúcidas de nossa sociedade. Torço para que esta ameaça consiga tirar a classe média da zona de conforto e nos impulsione a usar essa revolta para conscientizar as pessoas menos informadas e evitar que sacripantas como estes voltem ao poder.

10:47 PM






30.7.08

A oposição deve estar frustrada depois do Roda Viva de ontem, com o candidato à reeleição Serafim Corrêa. Sem nenhum deslize ou escândalo evidente, as poucas tentativas dos jornalistas de atingirem o calcanhar de Aquiles do Prefeito caíram pelo caminho diante de sua argumentação precisa.

Passeando por alguns blogs na manhã de hoje percebi pouca repercussão negativa, no máximo algumas referências ao seu tom mais descontraído que o usual.

Este silêncio tem duas faces.

Puxando pelo racional, sabemos que contra fatos não há argumentos e colocando os números na mesa, a gestão atual apresenta resultados que desmoralizam qualquer gestão passada.

Por outro lado, este mesmo silêncio pode ser perigoso. Lembrei do professor norte-americano Randy Pausch, que faleceu na última sexta e ficou famoso pela sabedoria de sua última aula. Entre seus conselhos, destacou que "quando ninguém diz mais nada, é um sinal de que desistiram. No fundo, seus críticos são aqueles que ainda o amam e se preocupam". Esta indiferença pode ser uma confirmação da rejeição apontada nas "pesquisas".

Não arrisco palpites até a apuração. O processo eleitoral deste ano promete capítulos surreais, como é típico nestas bandas.

Em meio à troca de farpas que só está começando, será inevitável a percepção das Raimundas e dos Josés sobre a água jorrando nas torneiras, sobre a qualidade da educação de seus filhos e do crescimento econômico que estamos vivendo. Entre erros e acertos, presentes em toda gestão, Manaus deu um inquestionável salto de qualidade em todas as áreas, que poderia ser bem melhor, mas isto também não é exclusividade desta gestão.

Meu voto é pelo bom senso.

12:29 PM






29.7.08

Ô fechamento de semestre ralado! Metas alcançadas, time reunido, que venha o próximo que a gente mata no peito e..err...bem, gol só amanhã, hoje o estômago tá pesando.

6:56 PM






Depois

6:54 PM






Antes

6:52 PM






28.7.08

Sintonia

Mês passado eu sonhei um dia participar desta marmota, ontem o Fantástico mostrou que também gostou e fez. Bacanaço, só esqueceram de sincronizar com minha passagem pela Estação da Luz no domingo passado.

Dammit.

8:24 PM






25.7.08

"Quem inventou o amor me explica por favor..."

Vem chumbo bravo por aí, ainda bem.

11:12 AM






23.7.08

E eu ia perder essa piada pronta?



Ah sim, e as imagens.

1:27 PM






Música de hoje: For me formidable



Gosto de cantar junto em momentos de extremo êxtase, como agora.

É muito bom estar de volta a Manaus.

10:57 AM






15.7.08



Há algum tempo eu tento, sempre em hora imprópria, escrever alguma coisa sobre o que vejo por aí, mas invariavelmente os dias e os fatos são mais rápidos: alguns aromas se perdem, outras sensações ficam pelo caminho. Todas as vezes que coloco os pés na estrada novamente recordo o quanto ainda há para se conhecer e me espanto com o pouco tempo que nos deram nesta vida.

Momentos legais são sempre muito casuais. No trajeto de volta para o evento me deparei com alguns jovens falando e tocando com emoção o projeto em que acreditam, a música clássica. Enquanto assistia uma de suas apresentações, imaginei a intensidade daquele microcosmo, tão distante de minha realidade. Fiquei realmente perplexo com o quanto nos fechamos em nosso mundo e com o poder da arte nos religar a momentos de paz e auto-encontro. Uma imensidão de jovens e crianças, por algum motivo desviadas dos descaminhos do créu, assistia a tudo hipnotizada e estava ali por livre arbítrio. Logo na chegada, horas antes, degustei o ensaio final de uma peça sobre o poeta Vinícius. Para a minha surpresa, na platéia a maioria também era formada por crianças, ainda prestes a conhecer as nuances da paixão e já tão bem amparadas ali pelas palavras do poeta branco mais negro do Brasil.

A arte estampa sensações muito individuais em quem a experimenta, mas para mim, o que pairava no ar era a sensação de que nem tudo estava perdido.

No galpão ao lado, ao tentar sair de um stand por uma lona, acabei dentro de uma célula, com alguns ribossomos, mitocôndrias e complexos de golgi. Fora a surrealidade natural do momento, o que me fascinou ali foi o timbre de voz apaixonado do instrutor. Sem demonstrar qualquer indício de monotonia, ele contava aquela mesma estória mais uma vez, sempre com novos matizes e cores, comprometido em desnudar com entusiasmo aquele mundo microscópico, tornando aquela experiência nova, a cada novo visitante.

Horas mais tarde eu estava sentado no maior shopping da América Latina, falando da agenda mecânica do Ministro de Ciência e Tecnologia, que nos visitara há algumas horas com um olhar anestesiado, sem saber sequer onde estava, enquanto seu cerimonial bem adestrado o arrastava dali ao fim dos cronometrados minutos, para uma nova sessão de fotos.

Já embaixo da ducha quente no hotel, refleti sobre o magnetismo da novela Pantanal, que dezoito anos mais tarde vem roubando a audiência da programação milionária dos outros canais. Nada de velocidade de videoclipe e efeitos visuais rebuscados, em meio a essa corrida sem senso em direção a sabe-se lá onde, temos preferido o charme das chalanas, os takes longos e os diálogos naturalistas de Juma e o inverossímil velho do rio, nos cafundós do Brasil.

Pouco antes de dormir, me deparei em minha caixa de e-mails com o mosaico imaginário e clínico de um dos olhares mais brilhantes que conheço, que ainda titubeia sobre o próprio valor de sua obra. Em cada uma de suas palavras, um exercício diário de busca da sua própria essência, escalando com esmero o topo da pirâmide de Maslow, em um ato de entrega à auto-realização.

Ao final de um dia repleto de pequenas experiências sensoriais, levo pra cama uma desconfiança: não devo estar sozinho, o ser humano anda morrendo de saudade de ser o que é, humano.

12:09 AM






No iglu

12:08 AM






Sabe aquele prédio moço

12:08 AM






O mais cobiçado

12:08 AM






O meio e o fim

12:07 AM






Idéias novas saindo pelo ladrão

12:07 AM






Fecundando a curiosidade

12:07 AM






Pelo caminho



Veja esta imagem ganhar vida.

12:06 AM






Um céu de cair o queixo

12:06 AM






14.7.08

Dom Pedro, surpreendente

11:44 PM






3.7.08



Saiu do postsecret e da cabeça de someone else,
mas é tão apropriado que publiquei aqui e vou fazer de conta que é meu.

10:17 AM






1.7.08



- Do que você está rindo?
- Não estou rindo, por favor não insista.

Recuei.

A última vez que a ouvi falar com aquela suavidade arrebatadora foi naquela estranha tarde em tons de sépia. Seu pai parecia fitá-la com um olhar amoroso, enquanto os bombeiros o retiravam inerte do carro destroçado pelo impacto.

Ela brincava com uma diminuta porção de gravetos ao meu lado, enquanto assistia à cena com um olhar impassível.

Não derramou sequer uma lágrima. Permaneceu sentada no acostamento por mais algumas horas, até que a única nuvem que estacionara ali perto descosturou-se no ar e o céu se tingiu de vermelho, antes que a noite inundasse tudo.

Seis anos depois, mudou-se para a casa no litoral, teve dois filhos lindos e amorosos, mas jamais experimentou sequer um segundo de paz com sua família. Suas tardes eram longos períodos agrestes, intercalados por novidades cotidianas que não amenizavam a atmosfera claustrofóbica de suas lembranças.

Nos sábados, costumava sentar-se na praia e brincar com os seixos próximos a seus pés. Desenhava figuras assimétricas na areia, como se tentasse desembaraçar seus pensamentos. O vento desorganizava os rascunhos e minutos depois ela estava novamente em casa, cercada pela vida que construíra até então, absorta pela perspectiva do nada e pela solidez do silêncio à sua volta.

Viver era apenas uma opção amena e assim ela seguiu singrando naquele suceder de dias, drenada pelo tempo.

[...]

Pensei em aproximar-me novamente, mas resolvi observá-la a uma distância segura.

- Vá embora, não vê que está tudo bem? - sussurrou baixinho. Estava a um passo de chorar convulsivamente.

- Por que me chamou aqui? - arrisquei.

Estou certo de que ela conhecia o ângulo mais favorável naquela meia-luz. Inclinou o rosto e bombardeou-me com um irrepreensível olhar de brandura:

- Você realmente não sabe?

O espaço-tempo entre nós pareceu chacoalhar em um mosaico de fragrâncias raras e inebriantes. Aquela estranha anestesia perdurou por mais algumas dezenas de outonos até que, adormecido em seu colo, recuei mais uma vez e mergulhei no nada.

9:53 PM






28.6.08

Foi muito foda








2:31 PM






25.6.08



Fala, Deco:

"Uns fellas, depois de alguns anos sem fazer algo de útil, surtaram! De um surto veio a demente ideia de fazer o Boogie Woogie Infernal de novo e para piorar, a idéia foi aceita.

Dia 27 de junho o Pub 'N' Vezes, será mais uma vez, o centro do lazer e rock 'n' roll da melhor qualidade. Sodabilly quebrando tudo com o melhor do Rock 'N' Roll, Blues, Swing, Surf Music e afins. Como sempre. Pra' manter o clima infernal e a moçada suada, Dj PsychoSeboso bota uma sequência qualquer de algo que não se está acostumado ouvir nas casas de rock de Manaus.

O BWI é isso. Algo fora da rotina. Se você é um desses fellas que estava sem fazer algo de útil ou está de saco cheio da rotina de lazer, cai lá!
Só R$6 o ingresso. De graça também é sacanagem demais.
O fogo começa a ser ateado as 22h.

O lance é se divertir e curtir um puta lazer fudido!"

[...]

Porque eu vou:

>> O DJ é o Deco e não tem quem não goste das marmotas do Deco.
>> Uma pessoa que nunca vi bêbada vai ficar trilouca lá.
>> A maioria das figuras legais de Manaus vai.
>> Não dá playboy, só gente bacana.
>> Graças! Não é mainstream.

Aqui tem mapa, detalhes, tudo.

10:11 AM






23.6.08

Morro mas ainda vejo (ou participo de) um desses...

11:29 PM






20.6.08

8:53 PM






19.6.08

Mais uma vítima passou pela minha mesa...

5:52 PM






15.6.08

Relax total

11:19 AM






13.6.08

Microconto

Chegou muito cansado na aula de História.
Dormiu.
Acordou 3 séculos depois.

(Senir Fernandez)

1:14 PM






8.6.08

Jungle News: notícias do lado de cá



Toda vez que passo no álbum do Pedrão eu coro de vergonha de não conhecer as belezas de nosso estado. Fico de cara com o colorido e a precisão de suas fotos, resta sempre a frustrante sensação de que ele consegue ver uma floresta bem mais rica e cheia de detalhes do que a visão que presencio em minhas tímidas caminhadas pelos arredores das cachoeiras de Presidente Figueiredo. Verdade seja dita, em alguns momentos chego a acreditar que a fauna faz pose e colabora para que tudo saia no melhor ângulo possível. Dá vontade de largar o emprego e a vida na cidade, pegar uma voadeira e sair fotografando tudo agora. Mas já é noite e amanhã é dia de branco.

Quem sabe um dia.

10:34 PM






Xô stress: rio + floresta



Domingo é dia de recarregar as energias com a Natureza abençoada, reencontrar amigos queridos e ter câimbras de tanto rir, beber aquelas doses essenciais para deixar este realidade de lado, limpar a vista, ouvir um barco tocando brega e forró (!!!).

Well, nem tudo é perfeito.

9:58 PM






7.6.08



Algumas surpresas e um choque com esta horrenda tabela de alimentos de 200 calorias: A manteiga é mais calórica que o bacon, que é menos calórico que um punhado de nozes. Para aniquilar meu dia, descubro que uma mirrada dose de Bailey's, uma de minhas poucas alegrias etílicas, faz o dobro do estrago que 3 ovos.

E o que me resta de esperança se traço uma garrafa de Bailey's naturalmente ?

=(

8:58 AM






1.6.08

Oba



Demorou, mas aconteceu: o orkut lançou sua ferramenta de instalação de aplicativos, como um que permite bater papo com os amigos que estão online. Debandei pro Facebook um bom tempo porque lá sobram brinquedinhos como esse, mas agora os caras da Google jogaram a toalha.

Bendita competitividade, bom pra nós.

7:24 PM







:: dias esquecidos ::